Dissidente cubana tem permissão de saída, mas sem direito de retorno

Animada pela reforma migratória que entrou em vigor em 14 de janeiro e que permitirá à maioria dos cubanos viajar, a ex-Dama de Branco Gisela Delgado Sablon procurou a Direção de Imigração Nacional. Passaporte na mão, ela ouviu das autoridades nesta quinta-feira que não havia garantias de que pudesse retornar ao país. Gisela está na lista de contrarrevolucionários, segundo foi informada e é o primeiro caso que a Comissão Cubana de Direitos Humanos recebe de permissão negada desde a reforma a uma pessoa sem processo judicial.

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– Ia aos Estados Unidos visitar meus pais, que são idosos. Não estou sob sanções, não sou prisioneira. Estou presa pelo regime que não me permite deixar o país. Pago pelas minhas ideias – contou por telefone ao GLOBO.

Os dois casos anteriores se referem aos ex-presos políticos Angel Moya Acosta e José Daniel Ferrer García. O governo justificou que eles estão em liberdade condicional e que, portanto, não poderiam deixar o país. Mulher do ex-preso Hector Palácio, Gisela foi uma das Damas de Branco – mulheres que saem em procissão pedindo a libertação dos maridos – e pertence a um grupo de análise da oposição. Mas não enfrenta processo algum.

– Parece-me que vão manter as restrições para algumas pessoas. Só poderemos ver quem poderá sair do país mesmo na hora em que conseguirem embarcar – disse.

O caso mais famoso é o da blogueira cubana Yoani Sanchéz. Yoani já obteve o passaporte e pretende chegar ao Brasil no dia 18 deste mês. (O Globo)

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