Derrota para Inglaterra mostra seleção brasileira longe do ideal

Felipão sabe que não conta com substituto para o brilho e eficiência de Rivaldo, de Ronaldinho, ou de Ronaldo, que teve na campanha de 2002.
Juntamente com alguns milhares de brasileiros, enfrentei o frio de Wembley para assistir a Brasil x Inglaterra. Fora a grande atração que a seleção brasileira desperta na gente que vive no exterior, eu tinha duas motivações extras.

Uma grande curiosidade de ver ao vivo o primeiro time de Felipão nessa sua segunda fase no comando da seleção, e uma enorme esperança de que o time acertasse logo de cara, espantando o temor que na surdina vem assombrando a torcida brasileira, de que não teremos time forte suficiente para garantir o hexa em casa, já no ano que vem.

Saí do estádio com minha curiosidade satisfeita.

Felipão sabe que não conta com substituto para o brilho e eficiência de Rivaldo, de Ronaldinho, ou de Ronaldo, que teve na campanha de 2002.

O Ronaldinho atual rende muito pouco. Nem Luis Fabiano nem Fred são garantia absoluta de gol. E Neymar ainda não conseguiu provar que é capaz de estraçalhar as disciplinadas defesas europeias como faz habitualmente no Brasil e pelas Américas.

A dupla Ramires – Paulinho não funcionou. Arouca precisa se habituar a vestir a camisa amarela, relaxar, e ter confiança no seu futebol.

Mas confesso que o Brasil de Scolari começou empolgando. Passes e deslocações eficientes faziam a bola ir da defesa ao ataque rapidamente, envolvendo a fraca defesa inglesa e deram a impressão de que se o técnico tiver tempo e condição de investir na preparação de um conjunto, podemos acabar com um bom time.

Mas será que bom o suficiente para bater times que jogam juntos há anos como Alemanha e Espanha?

Após a derrota para o fraco English Team, a dúvida persiste.

Pensei na menina que estava ao meu lado na arquibancada. Vestindo camisa da seleção, ela perguntava ao pai ansiosa qual dos jogadores era o Neymar. Tendo a curiosidade atendida, passou a ser mais uma no estádio a acompanhar atenta as jogada do santista, esperando ver o espetáculo que o pai possivelmente prometera.

A cada bola perdida, gol desperdiçado e drible fracassado, ela cutucava o pai: “Mas você não me disse que ele era bom?” Saiu decepcionada.

Não quero me decepcionar antecipadamente, mas essa dúvida que levo na cabeça é muito preocupante. (Ricardo Acampora, da BBC Brasil em Londres)</em>

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