Valor da Petrobrás cai ao menor nível desde a megacapitalização

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, mandou nesta terça-feira um aviso a quem imaginava que a Petrobrás começaria neste semestre um processo de recuperação financeira e produtiva em relação a 2012, quando o lucro foi o mais baixo dos últimos oito anos e a produção caiu 2,35% em relação a 2011. “2013 vai ser muito mais difícil ainda”, alertou.

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A queda de 36% no lucro (R$ 21,2 bilhões) em 2012, divulgado na noite de segunda-feira, associada ao anúncio feito nesta terça ao mercado de uma política diferenciada na distribuição de dividendos derrubou as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da companhia. Com um tombo de 8,3%, os papéis lideraram o ranking das maiores perdas do principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa.

Em pouco mais de um mês, a Petrobrás acumulou uma perda de R$ 30 bilhões em seu valor de mercado na Bolsa. A companhia encerrou o pregão com valor de R$ 224,830 bilhões, abaixo, portanto, do valor da empresa antes da megacapitalização de 2010. Em 23 de setembro daquele ano, antes da maior oferta de ações já realizada na história das bolsas de valores de todo o mundo, o valor de mercado da Petrobrás encerrou em R$ 252,648 bilhões, segundo dados da consultoria financeira Economatica. No dia seguinte, após o aumento de capital, o valor de mercado atingiu R$ 362,806 bilhões.

‘Retrocesso’ – Essa é a primeira vez que a companhia propõe um valor de dividendos para as ON de cerca de metade do anunciado para as PN (preferenciais). O diretor financeiro da companhia, Almir Barbassa, admitiu que a decisão foi tomada para preservar o caixa da Petrobrás.

Segundo ele, a empresa precisaria desembolsar mais R$ 3,5 bilhões para oferecer às ON o mesmo dividendos proposto às PN.

“Se colocarmos esses R$ 3 bilhões em uma plataforma, poderemos retornar ao acionista um resultado muito maior (do que o valor pago via dividendo). Nossa prioridade é toda para a área de exploração e produção. Faremos qualquer coisa que pudermos para converter (recursos) em ativos”, destacou Graça.

O analista Emerson Leite, do Credit Suisse, disse, na teleconferência feita pela diretoria com analistas, considerar a medida um “retrocesso de governança”. “Passa uma mensagem muito ruim para os acionistas.” A estatal restringirá este ano os investimentos a projetos já em curso.

“Trabalhamos com metas o mais próximas possível da realidade. (…) Não existe para 2013 nenhum novo projeto. Neste ano não dá”, disse Graça Foster, que rechaçou a hipótese de uma nova capitalização. A última ocorreu em 2010.

A queda expressiva do lucro líquido tem como um dos fatores, citado por Graça, a defasagem entre os preços de gasolina e do diesel importados e os de revenda interna. Como a produção das refinarias brasileiras é insuficiente para abastecer o mercado doméstico, a Petrobrás tem que comprar combustíveis no exterior. A produção do refino não aumentará neste ano, disse.

Sem conforto – Os recentes reajustes do gasolina (6,6%) e diesel (5,4%) ficaram distanciados dos valores ideais para que a estatal repasse dentro do País os preços integrais pagos no exterior. Para Graça, o aumento propiciará uma “melhoria de caixa”, mas “não o suficiente para dar o conforto da paridade” de preços.

A Petrobrás, repetiu a presidente, mantém a “busca permanente para a convergência internacional”. Para ela, a busca da convergência é fundamental para a previsibilidade do caixa de modo a que a Petrobrás possa, a partir de 2014, avaliar a entrada de novos projetos no portfólio.

Graça preferiu não revelar qual a defasagem de preços, sob a alegação de que o porcentual depende de uma série de variáveis e contas complexas, que ela mantém sob sigilo. Além de afastar a possibilidade de novas iniciativas em 2013, a executiva disse que continua “avaliando a economicidade” de projetos antigos, como as duas refinarias Premium (Ceará e Maranhão).

A produção de petróleo, que em 2012 registrou a primeira queda desde 2004, não avançará neste ano. A meta de 2,022 milhões de barris/dia, será mantida, embora não tenha sido alcançada. (Estadão)

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