Primeiro-ministro do Egito apela para que manifestantes deixem protestos e trabalhem pela construção do país

Cairo – O primeiro-ministro do Egito, Hisham Qandil, pediu hoje (5) que os egípcios, em vez de promoverem manifestações, “reorientem” seus esforços à “construção do país” e em busca de alternativas para o fim da crise econômica. Há uma semana, o país enfrenta protestos frequentes.

“Para cumprir com as necessidades da revolução, temos de acabar com as exigências e começar a nos concentrar no trabalho real”, disse Qandil. Ele pediu aos egípcios que “deixem de protestar”, ignorem os meios de comunicação e trabalhem, porque as questões da economia têm de ser abordadas “com urgência”.

O primeiro-ministro disse que todos os setores da economia sofrem problemas estruturais, que devem ser tratados de forma urgente e que a situação econômica do país tem de ser abordada antes que alcance “níveis catastróficos”.

“Temos de trabalhar juntos para salvar a economia, o que requer um esforço honesto de todos os setores da sociedade”, ressaltou Qandil. Ele apelou às forças políticas que ultrapassem as diferenças ideológicas e trabalhem juntas pelo interesse do país.

O Egito, que tem no turismo a principal fonte de receitas, passa por uma intensa crise econômica desde a revolução que derrubou o governo do ex-presidente Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011, agravada pela permanente instabilidade política e períodos de violência durante a transição.

As autoridades egípcias negociam com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um empréstimo de US$ 4,8 bilhões. Desde 25 de janeiro, quando se comemorou o segundo aniversário da revolução egípcia, morreram mais de 100 pessoas e cercam de mil ficaram feridas em decorrência dos confrontos entre manifestantes e forças do governo do presidente Mouhamed Mursi.

Em meio à crise econômica há também a instabilidade política. O ministro da Cultura do Egito, Mohamed Saber Arab, pediu demissão ontem do cargo em protesto contra a violência das forças policiais, divulgou a comunicação social estatal egípcia. A agência de notícias Mena confirmou a demissão de Arab.

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