Capriles cobra que Hugo Chávez apareça e fale a venezuelanos

“Não se brinca com saúde, mas também não se brinca com o povo da Venezuela”, disse Capriles à imprensa nesta quarta
“Não se brinca com saúde, mas também não se brinca com o povo da Venezuela”, disse Capriles à imprensa nesta quarta
O líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles, exigiu nesta quarta-feira que o caudilho Hugo Chávez “apareça” e explique à população o que está se passando em seu governo. “Se o presidente da República pode assinar decretos, eu o chamo para que apareça, fale com a Venezuela e lhe diga o que está se passando nesse governo, porque na Venezuela o que há é desgoverno”, disse, durante sua cerimômia de posse como governador do estado de Miranda.

A fala de Capriles é uma resposta a um decreto publicado nesta quarta-feira no Diário Oficial da Venezuela, com a assinatura de Chávez. O decreto designa o ex-vice-presidente Elías Jaua como novo ministro das Relações Exteriores. É a primeira decisão assinada pelo mandatário desde que viajou para Cuba em 10 de dezembro, para submeter-se a uma cirurgia para combater um câncer.

O coronel permanece internado em Havana desde então, sem aparecer em público. Seu estado de saúde é informado por meio de comunicados divulgados pelo governo. O último deles, de domingo, afirma que Chávez respondeu bem ao tratamento nos últimos dias, mas ainda sofre de insuficiência respiratória.

O vice-presidente Nicolás Maduro, que também acumulava o cargo de chanceler, assumiu na terça-feira o papel do chefe máximo ao entregar à Assembleia Nacional o relatório da gestão do governo em 2012. E anunciou que Chávez havia designado Jaua para o novo cargo.

Protesto – A oposição venezuelana está avaliando mudar a data do protesto previsto para o próximo dia 23, depois do chavismo convocar uma marcha em apoio a Chávez para o mesmo dia. Os que defendem a mudança da data argumentam que não se pode entrar no clima de confronto levantado pelo governo.

Nesta quarta-feira, em uma sessão ordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos, o embaixador do Panamá na organização pediu que a “potencial violação” da Constituição Venezuelana não seja ignorada. Sem apresentar nenhuma proposta de ação concreta, Guillermo Cochez considerou que a OEA “se precipitou ao convalidar uma série de eventos sem precedente histórico” no país.

Por sua vez, o Exército venezuelano expressou seu apoio a Chávez por meio do ministro da Defesa, Diego Molero Bellavia. “Os soldados vão fazer cumprir a decisão do Supremo Tribunal de Justiça para que o chefe de estado possa voltar a sua casa quando sua saúde melhorar”. Segundo Molero, as forças armadas têm “lealdade incondicional” a Hugo Chávez, “agora mais do que nunca”.

Na véspera da data prevista para a posse de Chávez, dia 10 de janeiro, a corte dispensou a necessidade do juramento, endossando a chavista e afirmando que há uma “continuidade administrativa” pelo fato de Chávez ter sido reeleito. Desta forma, a decisão permite também que os ministros do mandato anterior de Chávez permaneçam em seus cargos. (Veja Online)

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