Venezuela: Hugo Chávez viola lei e convoca eleitores durante votação

Uma mensagem do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convocando os venezuelanos, mas principalmente “os patriotas”, a votar foi transmitida ontem em rede nacional, uma hora e meia antes do fechamento das urnas.

O chamamento ao voto em um candidato durante o sufrágio é proibido na Venezuela. Uma hora antes da mensagem de Chávez ser divulgada, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) havia determinado que o vice-presidente, Nicolás Maduro, interrompesse uma entrevista coletiva em que falava das conquistas da revolução e da importância do voto para mantê-las. “Isso é um chamado a inclinar o voto por uma opção política, o que é uma violação da lei eleitoral”, afirmou o presidente do CNE, Vicente Díaz, após determinar o fim do ato.

A mensagem de Chávez, lida pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Jorge Arreaza, chamava os eleitores, “especialmente aos patriotas, a exercer o dever e o direito a ir a votar para consolidar os espaços ganhos sociais”. “Há 20 anos, não tínhamos pátria. Hoje há ação coletiva que comparte um projeto de país”, dizia a mensagem lida por Arreaza, que sugeriu aos chavistas participarem “para dar uma alegria ao comandante, uma alegria que permita acelerar o processo de melhoria”. O uso da doença de Chávez nos comícios durante a campanha foi frequente.

“Ele está muito atento às eleições, com a confiança de que vamos confirmar esta democracia”, acrescentou Arreaza, genro de Chávez. O ministro ainda deu atualizações sobre o estado de saúde do líder bolivariano, recapitulando a recuperação desde terça-feira, quando foi feita a operação. “O processo foi complicado. O presidente teve um sangramento que a equipe médica atendeu. Isso foi revertido e a tensão baixou. Desde anteontem (sexta-feira), o presidente passou a se comunicar, a instruir, a governar”, concluiu Arreaza.

Embora a boca de urna seja proibida na Venezuela, caminhões com caixas de som e adesivos eram comuns perto dos locais de votação. Os meios de comunicação públicos cobriram o voto exclusivamente dos candidatos chavistas a governador do chavismo – assim como os canais privados cobriram o voto dos candidatos da oposição.

Posse – Ontem, membros da oposição e especialistas rejeitaram a hipótese de que Chávez tome posse em Cuba caso não se recupere até o dia 10 de janeiro.

Para o professor de direito público da Universidade Central da Venezuela, o presidente tem que tomar posse diante da Assembleia. “Não é algo constitucional. A interpretação seria irregular. Mas se Assembleia a considerar adequada a situação, seria uma decisão da Assembleia”, afirmou ao Estado. A Assembleia é presidida por Diosdado Cabello, um dos mais próximos de Chávez. (Estadão)

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