Queda de Russomanno acende alerta na disputa em São Paulo

A queda de cinco pontos porcentuais do candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, que passou de 35% para 30% das intenções de votos na pesquisa Datafolha/TV Globo divulgada nesta quinta à noite, acendeu o sinal amarelo em sua campanha e reavivou a possibilidade de que, na reta final deste primeiro turno da disputa, os três primeiros colocados nas pesquisas – Celso Russomanno, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) – terminem a corrida eleitoral embolados.

Essa é a avaliação do especialista em marketing político e pesquisa eleitoral Sidney Kuntz. Serra oscilou positivamente nesta pesquisa de 21% para 22% e Haddad subiu de 15% para 18%.

“Não é maluquice achar que pode haver segundo turno entre Serra e Haddad”, afirmou Kuntz.

Ele acredita que “foi um erro” dos tucanos e petistas darem como certo a ida de Russomanno ao segundo turno. “As pessoas estão começando a acreditar que os dois têm condições de chegar ao segundo turno. Russomanno começou a demonstrar inconsistência”, avaliou.

Kuntz atribui a queda de Russomanno ao seu fraco desempenho em debates e aos ataques de seus adversários, que ressaltam a sua falta de experiência em cargos executivos.

“Isso é um reflexo do mau desempenho que ele vem tendo nos debates, muito pouco incisivo, sem conseguir rebater os ataques dos adversários. Ele está sendo combatido pela falta de experiência que está sendo apontada por todos os candidatos do pleito”, avaliou.

Para Kuntz, essa queda foi significativa e deve trazer mudanças à campanha. “Antes, tudo indicava que ele (Russomanno) não iria mais para debates, ele reafirmava sua liderança a todo momento. Agora, se não for, aos olhos dos eleitores, será um ato de covardia. Se ele for, vai continuar sendo metralhado”, afirmou.

Os ataques às propostas de Russomanno, realizados pelos outros candidatos, foi outro fator que influenciou a queda, na avaliação do especialista. “As propostas foram, uma a uma, sendo desconstruídas, os outros candidatos mostraram que muitas são inexequíveis”, disse.

Kuntz apontou um terceiro fator como determinante: as polêmicas envolvendo o candidato do PRB e religião nos últimos dias. “Teve o grande problema com a Igreja Católica, quando ele quis marcar encontro com o bispo (Dom Odilo Scherer) antes do debate realizado no dia 20 deste mês, dizendo que só participaria se tivesse audiência antes, pegou mal”.(Guilherme Waltenberg, Estadao.com.br)

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