Romance e “antirromance” são destaques da terceira noite de mostras competitivas

Carolina Gonçalves
Agência Brasil

Brasília – A terceira noite de mostras competitivas do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começou ontem (21) à noite com um filme de amor e terminou com um “antirromance”. Os destaques foram os longas-metragens Otto e Boa Sorte, Meu Amor, que concorrem às principais categorias do festival.

Como responsável pela única produção totalmente mineira nas competições de longas, o diretor Cao Guimarães apresentou uma declaração pública de amor pela mulher e o filho (que tem o nome da obra) com o documentário Otto. Narrada pelo próprio diretor, a trama, que transcorreu em tom confessional e poético e com cenas cotidianas da mulher ainda grávida e do nascimento do filho, é definida por Cao como um filme “instintivo e visceral como um gesto – uma celebração à vida”.

O mesmo público que tinha acompanhado, minutos antes, o retorno ao passado com A Guerra dos Gibis, documentário curta-metragem que resgatou a produção de quadrinhos eróticos no Brasil durante a ditadura militar, nos anos 1960, lançou-se no universo romântico conduzido pelo mineiro por 70 minutos.

“Definir? Toda mulher e mãe gostaria de receber um presente como esse”, comentou a advogada Juliana Gomes, acrescentando, aos risos, para o marido sentado ao lado: “Estou esperando”. Ela disse que Otto conseguiu ser íntimo, “mas universal”.

A mescla de gêneros que marcou a terceira noite do festival ainda teve, em sua composição, a animação em O Gigante, dos diretores catarinenses Julio Vanzeler e Luís da Matta Almeida, e o curta-metragem de ficção A Mão Que Afaga, da paulista Gabriela Amaral Almeida. Em pouco menos de 20 minutos, A Mão que Afaga conta o desafio vivido por uma mãe que planeja o aniversário de nove anos do único filho.

Com a ocupação de mais lugares pelo público que foi chegando aos poucos, Boa Sorte, Meu Amor, do diretor pernambucano Daniel Aragão, “quebrou o clima com sofisticação”, como definiu o engenheiro Eduardo Lima que acompanha todas as mostras desde terça-feira (17), estreia das exibições.

O longa-metragem de ficção, filmado em preto e branco, mostrou o encontro amoroso de Dirceu e Maria, nascidos no sertão pernambucano, e moradores do Recife, capital do estado, que tem como resultado o resgate da vida particular de cada um dos personagens.

“É um pessimismo otimista”, descreve o diretor, ao falar da trama “quase autobiográfica” das relações amorosas sem finais felizes. Dirceu e Maria vivem, nos 95 minutos da produção, uma relação considerada “pouco saudável” por Aragão. “É um breve encontro, mas é renovador, um estímulo. Muitas pessoas terminam um relacionamento e renovam a vida”.

Ao assumir a identidade dos personagens considerados “desafiadores”, o pernambucano admite: “gosto de ter uma bronca na minha vida que tenha que resolver e, particularmente, transformar isso em alguma coisa boa”.

Os filmes serão reprisados hoje (21) no cinema do Centro Cultural Banco do Brasil.

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