Agerba levanta rombo deixado pela TWB no sistema ferryboat

A dilapidação do patrimônio público foi impressionante. O Estado vai ter que desembolsar muito dinheiro para colocar o sistema ferryboat mais ou menos no ponto para atender. A situação exige uma investigação mais rigorosa. A TWB não deve ter causado tanto estrago se não tivesse a proteção de alguma mão divina.

REDAÇÃO DO JORNAL DA MÍDIA

O rombo deixado pela concessionária paulista TWB no sistema ferryboat é astronômico e está deixando funcionários designados para a equipe de interventores da Agerba impressionados. O estrago atinge a todas as áreas: administrativa, financeira e operacional. Somente de combustível a dívida supera, por enquanto, os R$ 600 mil e as contas abertas junto a fornecedores giram, também por enquanto, em torno de R$ 800 mil.

Somente para docar imediatamente três navios na Base Naval de Aratu para que o sistema possa funcionar com uma frota razoável para atender à população, o Estado terá que desembolsar algo em torno de R$ 1 milhão, fora os custos com peças e serviços. Tudo porque a TWB nunca deu manutenção à frota e os navios atingiram o ponto de alerta total. Até o “Anna Nery”, o mais novo está estraçalhado. Ou sai de tráfego para docar ou encerra a carreira na travessia.

A desordem administrativa era geral dentro da TWB. Não havia nenhum controle para pagamento a fornecedores – o pagamento era feito de acordo com a ”cara do freguês”, podendo ser com cheque, dinheiro vivo ou promessas.

Os encargos sociais estão todos atrasados. A dívida com FGTS e INSS, de responsabilidade exclusiva da TWB, não foi ainda contabilizada. Sindicatos de trabalhadores informam que os empregados estão com férias acumuladas e o FGTS não é depositado há mais de seis meses.

O pessoal que compõe a equipe de intervenção deve passar 30 ou 45 dias trabalhando intensamente para colocar as coisas em ordem e passar o sistema para a Internacional Marítima, empresa contratada, conforme divulgou há um mês o JORNAL DA MÍDIA.

“Isso aqui é um verdadeiro mangue”, disse uma fonte da Agerba consultada sobre o trabalho inicial dos interventores. Na verdade, o quadro não surpreende ao JORNAL DA MÍDIA, que nos últimos três anos publicou mais de 200 matérias relatando o descalabro praticado em todos os níveis no sistema ferryboat. A intervenção demorou, mas chegou. Dá para se salvar alguma coisa.

Apesar de a Agerba já dispor de um diagnóstico preliminar sobre a situação caótica dos navios, o quadro, quando for feito o levantamento detalhado de cada uma das embarcações, deve ser ainda mais grave. Existem navios trafegando com sistemas de propulsão não compatíveis com as características exigidas, outros têm problemas no sistema de reversão e alguns estão com os cascos completamente danificados. É bom registrar que dois ferries chegaram a operar com rombos no casco há dois meses, conforme noticiou o JM.

Caso de Polícia – O ferryboat “Ipuaçu”, que foi jogado há dois anos pela TWB no Terminal de Bom Despacho, está fazendo água na praça de máquina devido a um rombo no casco. O governo do Estado chegou a comprar dois motores novos para o “Ipuaçu”, mas os equipamentos foram desviados, de acordo com reportagem do JORNAL DA MÍDIA publicada em 2 de fevereiro de 2011. Essa informação foi confirmada agora pelo diretor-executivo da Agerba, Eduardo Pessoa, durante audiência na Assembleia Legislativa da Bahia.

O dinheiro da arrecadação do ferryboat vinha sendo retirado em malotes por funcionários da TWB e não era mais depositado em banco. Na última quarta-feira à noite, a TWB tentou levar a arrecadação do Terminal de Bom Despacho, mas funcionários da Agerba chamaram a polícia e impediram a ação, pois já tinham sido preparados para a intervenção.

Mas ontem a TWB ainda conseguiu levar toda a arrecadação do estacionamento que explorava em São Joaquim. Dizem que quem foi no estacionamento para raspar o que tinha no cofre foi o próprio dono da TWB, acompanhado de uma filha e de um funcionário. A Agerba foi informada do caso no final da tarde.

A situação caótica do ferryboat, sempre denunciada pelo JM e que na verdade era acobertada por setores do governo envolvidos até o pescoço com a TWB, só foi tornada real agora, justiça seja feita, graças ao trabalho da Agerba, através de Eduardo Pessoa, que trouxe à tona o verdadeiro mar de lama e desarmou aqueles que defendiam a concessionária. Se a investigação prosseguir e atingir outros setores suspeitos, vai se descobrir coisa muito mais podre.

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2 Comentários

  1. Lenise Ferreira

    O momento não é para criticar, quero sincera e honestamente dar a AGERBA o crédito que ela merece para que trabalhem em paz. Peço que Deus ilumine o Sr. Bruno Morais para que possa conduzir os trabalhos da melhor maneira possível.
    Hoje conversando com funcionários pedi a eles que levassem uma proposta nossa que pode auxiliar a reduzir os frequentes atrasos. Voltar os horários antigos diferenciando de Salvador para Itaparica em 30 minutos. Isto evita o que vem ocorrendo com frequência, um ferry chegar ao terminal e ficar aguardando a saída do outro da gaveta. Levarei esta e algumas outras sugestões ao pessoal da AGERBA.

  2. Vital

    Quem tem que explicar tudo isso é o deputado rosemberg pinto que foi bandio da petrobrás, empresa onde trabalhou sem ter feito concurso. Na TWB ele se plantou e ali se deu bem.

    O Sinicato dos marítimos tem culpa, pois ficou na folha de pagamento da TWB. O dirigente desse sindicato recebia sem trabalhar e tinha quase toda sua família na folha de pagamentos da TWB.

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