PF realiza operação em 19 cidades do Paraná para investigar crime ambiental

Fernando César Oliveira
Agência Brasil

Curitiba – A Polícia Federal (PF) realiza neste momento operação em 19 cidades paranaenses para investigar a responsabilidade da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) pelo lançamento de esgoto não tratado em rios do estado. A informação foi revelada em entrevista coletiva concedida hoje (20) pelo delegado Rubens Lopes da Silva, da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente da PF.

Ao todo, 43 equipes de policiais federais estão cumprindo 30 mandados de busca e apreensão em unidades da Sanepar localizadas nas 19 cidades paranaenses. Denominada Operação Iguaçu – Água Grande, a investigação tem o apoio de fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e de servidores da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A operação é resultado de investigação iniciada em 2009 que apura a condição da Sanepar como a maior empresa poluidora dos rios do estado. “A Sanepar é uma empresa de fachada em termos de tratamento de esgoto, é uma fraude. Ou ela não trata o esgoto que coleta, despejando-o de forma clandestina nos rios, ou então ela faz o tratamento de forma inadequada”, declarou Silva. “O tratamento do esgoto praticamente não existe”.

Entre os alvos das buscas estão a sede central e as sedes regionais da Sanepar. As equipes também estão coletando novos materiais para análise laboratorial em 17 estações de tratamento de esgoto. Cerca de 30 pessoas, entre gerentes e diretores da companhia estadual, serão indiciadas no inquérito por crime ambiental, entre outros ilícitos.

Segundo Rubens Lopes da Silva, nenhuma das 225 estações de tratamento de esgoto mantidas pela Sanepar funciona de acordo com a legislação. Ele citou como exemplo a Estação Atuba, localizada em Curitiba, onde cerca de 60% do esgoto sequer chegam a ser tratados. Após a Sanepar, considerada a maior poluidora, 180 empresas do Paraná também serão investigadas pela PF por poluição de rios.

O delegado disse à Agência Brasil que, em 45 dias, irá apresentar o seu relatório final sobre o caso da Sanepar, que deve provocar a abertura de novos inquéritos. Além de integrantes do governo atual do Paraná, a investigação pode vir a responsabilizar ex-governadores e ex-secretários, entre outras autoridades e ex-autoridades estaduais. “O próximo passo da operação será a análise dos documentos que estão sendo apreendidos hoje”.

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