Golpe da cura espiritual faz publicitário perder R$ 18 mil

Objetos apreendidos com as acusadas (Ernesto Rodrigues/AE)
Objetos apreendidos com as acusadas
A bordo de um Chevrolet Cruze zero, duas mulheres que se passavam por mãe e filha abordavam motoristas no trânsito da Avenida dos Bandeirantes, zona sul, e prometiam curas espirituais. Elas foram presas ontem, acusadas de causar um prejuízo de R$ 18 mil a um publicitário de 34 anos.

A vítima foi abordada pela dupla há um mês. Em três minutos de conversa, pela janela, o homem foi convencido a passar por consultas em uma casa no Campo Belo, zona sul. Como tem um irmão com problemas psiquiátricos, o publicitário resolveu aceitar a ajuda das falsas curandeiras. Nas primeiras idas até a residência, na Rua Professor Henrique Neves Lefèvre, a vítima diz que entregou R$ 300, depois mais R$ 4 mil.

Conforme os dias foram passando, elas pediam mais dinheiro. Até que ele fez um empréstimo bancário de R$ 10 mil. A família do publicitário começou a desconfiar. Segundo a polícia, a mulher dele procurou ajuda dos investigadores. No último fim de semana, diversas ligações foram feitas para o celular da vítima. As duas disseram que daquela vez a cura seria definitiva para os problemas.

Policiais do 27.º Distrito Policial (Campo Belo) estavam monitorando a casa – que tinha até segurança na porta. Na sexta-feira, os agentes conseguiram um mandado de busca e apreensão. Ontem, um esquema foi montado na porta da residência e a dupla acusada foi presa em flagrante por curandeirismo, charlatanismo, formação de quadrilha ou bando e também estelionato. Outras duas pessoas estão sendo procuradas.

Quando foram questionadas pelos policiais, elas disseram que o publicitário, que também estava lá, não passava de um amigo. Logo em seguida, teriam caído em contradição. Segundo a vítima, ontem as mulheres queriam mais R$ 1.500 para a montagem de corpos de cera. No caso dele, seria necessária a confecção de três corpos, algo que acabou não sendo feito. Na casa foram apreendidos dentes de animais, ossos, ervas que simulam sangue, bacias, velas, roupas coloridas e espadas.

O delegado titular do 27.º DP, Genésio Leo Junior, afirmou que as suspeitas estavam acostumadas a parar pessoas na região. E faziam isso de forma rápida, uma vez que tinham pouco tempo para, da janela do carro, convencer a pessoa a se consultar. O delegado disse que outras vítimas devem aparecer, mas muitas vezes a pessoa desiste de registrar a ocorrência por vergonha. “Muitas vezes a pessoa está com o vidro aberto, mostra a vulnerabilidade. Aí, o estelionatário acaba se aproveitando dessa fragilidade.”

Outro caso. De acordo com Leo Junior, em 2005, um caso semelhante contra as mesmas mulheres foi registrado na delegacia. “Só que elas atendiam em outra casa”, lembra. Na delegacia, as presas apresentaram documentos como sendo Helena Aristides, de 61 anos, e Nadia Angélica Vit, de 37. O carro que elas usavam estava pago. O advogado da dupla não foi localizado pela reportagem. A polícia diz que elas não têm antecedentes criminais. (Estadão)

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