A Última Estação abre Festival de Cinema de Brasília e emociona a plateia

Brasília – Por mais de uma hora e meia, o filme A Última Estação, dirigido por Márcio Curi, emocionou e arrancou risadas do público convidado para a abertura da 45ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

A exibição do longa-metragem, produzido a partir de roteiro de Di Moretti, foi precedida por um clima de expectativa. A promessa do diretor, de apresentar uma história sensível e bem humorada sobre a trajetória dos imigrantes libaneses no Brasil, cumpriu-se na tela do Teatro Nacional. Minutos antes da sessão de abertura, o ator e diretor libanês Mounir Maasri, protagonista do filme no papel de Tarik, disse ao público que o longa retrata o verdadeiro resgate histórico da migração libanesa.

“Na televisão, essa história é contada em forma de caricatura. Nunca o audiovisual tratou a história da migração libanesa de maneira tão profunda”, descreveu Maasri, lembrando que, atualmente, no Brasil, vivem mais libaneses do que no próprio Líbano.

Ao descrever a atuação de Maasri, Márcio Curi disse que o ator libanês conseguiu superar o papel de protagonista e se tornar a “alma do filme”. O diretor acrescentou que em 45 anos não tinha vivido uma emoção tão intensa. “Meu sonho é conseguir envolvê-los [o público]”.

O longa-metragem foi visto por um público que, além das cadeiras dispostas no espaço, com capacidade para mais de 1,3 mil pessoas, ocupou os degraus das escadas da Sala Villa Lobos, do Teatro Nacional, em cadeiras extras, até o fim da exibição.

Baseada em narrativa rica em sensibilidade, poesia e humor, o longa-metragem conta a história de vida do libanês Tarik que, em meados dos anos 1950, vem para o Brasil ao lado do irmão mais novo, Karim. No navio em que fazem a trajetória, os dois iniciam amizade com outros meninos árabes e sírios. Quase meio século depois, Tarik decide cumprir algumas promessas e abandona tudo para atravessar o Brasil na companhia da filha Sâmia, em busca dos meninos que fizeram a travessia com ele 51 anos antes.

Além de resgatar uma história que esbarra na origem do próprio diretor, A Última Estação também marcou a estreia de profissionais como Krishna Schmidt, responsável pela fotografia do longa, e da atriz brasiliense Klarah Lobato, no papel de Sâmia.

“Para mim é muito gratificante ter esta experiência. Sou estudante de teatro e este foi o meu primeiro longa”, disse ela. Para a atriz, o filme pode impulsionar os atores da cidade. “Estou muito feliz por estar na abertura do Festival de Brasília. Estou feliz, inclusive, pela divulgação que os atores terão. Temos atores muito bons aqui”, completou.

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