No rastro do Supremo, mensalão tem outros 45 processos e 80 reús.

O escândalo do mensalão tem pelo menos 118 réus em processos abertos em diferentes instâncias da Justiça, o triplo da quantidade de acusados em julgamento há mais de um mês no Supremo Tribunal Federal (STF). O GLOBO teve acesso à lista de processos iniciados a partir da denúncia principal do esquema e aos pedidos de investigação encaminhados pela Procuradoria Geral da República (PGR) às procuradorias da República nos estados.

O mensalão resultou em outros 45 processos na Justiça Federal no Distrito Federal e em quatro estados — Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo —; no Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, em São Paulo; e no próprio STF, onde um inquérito tramita paralelamente à ação penal julgada pelo plenário da mais alta Corte do país desde 2 de agosto.

O levantamento inédito do GLOBO, feito com base nas duas listas da procuradoria, mostra a real extensão do mensalão no Judiciário brasileiro. Do total de 118 réus, 35 são julgados tanto pelos ministros do STF quanto em processos abertos com o desmembramento das investigações. Outros 80 estão fora do principal julgamento, mas são réus nos demais processos. E três são réus apenas no Supremo: o publicitário Duda Mendonça, sua sócia Zilmar Fernandes e o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato.

Dezenas de acusados ficaram fora da denúncia formulada pela PGR no Supremo e passaram a ser investigados pelo Ministério Público em outras instâncias. Ao todo, 11 procuradorias, em nove estados, e o Ministério Público do Distrito Federal foram acionados para apurar a participação de outros personagens. As investigações também incluíram crimes adicionais supostamente praticados pelos réus no STF.

Nas instâncias inferiores, os processos andam em ritmo mais lento do que no STF. Enquanto os ministros do Supremo já condenaram oito réus por lavagem de dinheiro e um deputado federal, João Paulo Cunha (PT-SP), por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, a maioria dos processos na Justiça Federal não chegou nem na fase de produção de provas. (Vinicius Sassine, em O Globo)

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