Prédio é interditado em São Paulo após tremores e fissuras nas paredes

Fernanda Cruz
Agência Brasil

São Paulo – A interdição de um prédio residencial na capital paulista, localizado no bairro Itaim Bibi, zona sul, deixou 70 moradores desalojados ontem (13) depois de tremores sentidos por volta das 8h30. Uma vistoria feita por técnicos da subprefeitura de Pinheiros constatou problemas estruturais nos pilares do subsolo e no térreo da construção, em função de uma obra que estava em andamento no edifício.

Desde a noite da quinta-feira, homens trabalham no reforço da estrutura, fazendo reparos emergenciais. Após os reparos, os proprietários do prédio deverão apresentar laudos comprobatórios de segurança à subprefeitura.

De acordo o coordenador da Defesa Civil de São Paulo, Jair Paca de Lima, os moradores poderão retornar aos apartamentos em no mínimo cinco dias. “Com o retorno do pessoal, terá que colocar água na caixa, ter um sistema de combate à prevenção a incêndio em dia. Tudo isso causa mais sobrecarga no prédio, daí a necessidade de um tempo”, informou.

No dia 11 de agosto, o prédio já havia apresentado tremores. Na época, não houve necessidade de interdição, de acordo com o coordenador da Defesa Civil. Porém, com a continuidade da reforma, o problema se agravou. “Esse prédio tem mais de 50 anos. A continuação dos trabalhos deve ter afetado a estrutura, deve ter sobrecarregado uma parte dessas colunas. Daí, ocorreram as fissuras”, disse.

No mês passado, a subprefeitura constatou que um pilar do subsolo do edifício apresentava estufamento. “Na ocasião, foi efetuado o auto de intimação determinando o reforço da estrutura dos pilares da garagem”, disse a Defesa Civil.

Alguns moradores, como Maria Aparecida Otero Loyola, dizem que a reforma que desencadeou o problema na edificação era feita pelo Hospital São Luís, vizinho ao condomínio. O hospital confirma ser proprietário de algumas lojas que fazem parte do prédio. Mas informou, em nota, que obteve a aprovação para a reforma, em assembleia do condomínio. “Como o condomínio necessitava de melhorias em sua estrutura, o hospital se propôs a contratar a empresa que realizaria a obra”.

Hoje, alguns moradores estiveram no local para recolher pertences, mas não puderam permanecer mais do que três minutos dentro do prédio. Maria Aparecida, de 67 anos, é aposentada e mora há 11 anos no condomínio, com a sua filha e o neto. Na hora do abalo, ela conta que estava sentada no sofá, tomando café. “Houve um estrondo e o sofá deu uma arriada. A minha filha escorregou da cama”, lembra.

A aposentada conta que o primeiro abalo, em agosto, foi mais fraco, mas quebrou suas louças, armário e azulejo. Agora, ela está hospedada em um hotel, com as diárias pagas pelo hospital.

Maria de Lurdes Dower, de 73 anos, é professora aposentada e mora há nove anos no local. No momento do tremor, ela dormia. “Eu não escutei nada, estava dormindo. A hora que o interfone tocou, falaram para pegar os documentos e descer correndo”, conta. Maria está, agora, hospedada na casa de parentes.

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