Alvaro Dias acusa Dilma de fazer uso eleitoreiro de cadeia de rádio e TV

AGÊNCIA SENADO

Em pronunciamento nesta segunda-feira (10), o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que a presidente Dilma Rousseff “aderiu sem pudor e sem qualquer escrúpulo” à estratégia do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, referindo-se à “utilização indevida de cadeia de rádio e TV para fazer propaganda político-partidária e atacar adversários”.

Alvaro Dias disse que o pronunciamento da presidente da República em cadeia nacional de rádio e TV, feito na semana passada, em alusão ao 7 de Setembro, foi “vazio, marcado pela insinceridade, pelo ufanismo, por ataques à gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (1994-2003), pela falta de novidade e cheio de novas promessas”.

– O uso indevido da máquina pública, além de deplorável e condenável, em termos éticos, é passível de punição legal – afirmou.

O objetivo da fala de Dilma, segundo Alvaro Dias, foi prestar socorro eleitoral ao PT, que tem encontrado dificuldades para eleger seus candidatos nas eleições municipais de outubro, sobretudo na região Nordeste e nas principais capitais do centro-sul do país.

Alvaro Dias ressaltou que a estratégia de utilizar cadeia nacional de rádio e TV para impor visão política e atacar opositores tem sido utilizada pelo presidente do Equador, Rafael Correa, e pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

O senador pelo Paraná adiantou que o PSDB usará dos meios legais e compatíveis para defender a democracia e denunciar o uso indevido e eleitoral do pronunciamento de Dilma em cadeia nacional de rádio e TV.

– Pronunciamentos oficiais em datas como essa sempre foram marcados pela sobriedade e pelo respeito constitucional. Dilma poderia utilizar um espaço que a Constituição lhe dá como presidente da República, mas o fez como cabo eleitoral do PT, para atacar adversários e divulgar meias verdades – afirmou.

Alvaro Dias ressaltou que Dilma “fez uso de cadeia de rádio e TV para, deselegante e equivocadamente, criticar a política de privatizações adotada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, como se em seu governo não fizesse o mesmo, com a privatização de rodovias, ferrovias, aeroportos, de forma duvidosa, sobre o êxito desejado”.

Citando artigo do jornalista Augusto Nunes, Alvaro Dias disse também que Dilma, no dia em que o Brasil comemorava 190 anos de sua Independência, “deixou claro que é dependente da mentira e acha que todos os brasileiros são idiotas”.
O senador avaliou que o anúncio prematuro por Dilma de uma redução nas contas de energia que só vai ocorrer em 2013 é “a prova mais clara” do caráter “eleitoreiro” do pronunciamento da presidente em cadeia nacional.

– Esta é uma indagação elementar: se a redução da tarifa ocorrerá em 2013, por que razão a presidente teria que anunciar em meio à campanha eleitoral? Isto é honesto? Isto respeita o país? Isto é procedimento de chefe da nação ou de chefe de uma facção política? – questionou.

Alvaro Dias disse ainda que Dilma “teve a coragem de ir para um pronunciamento e afirmar que estamos vivendo uma nova arrancada, prontos para um novo salto, um novo ciclo de desenvolvimento, enquanto o país continua crescendo pouco e sem exibir perspectiva confiável de que irá recuperar o ímpeto mais à frente”.

– O país cresceu 2,7% em 2011. A taxa de crescimento acumulada nos últimos 12 meses foi de 1,2%. Neste ano, o PIB deve ficar em torno de 1,5%. A taxa de investimento está caindo. A participação da indústria da transformação está retrocedendo. O setor externo está decepcionante. Enfim, que arrancada é essa anunciada pela presidente? – questionou.

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