Borges “não tem nada certo” para uma aliança com o governo Wagner
O presidente regional do PR, ex-senador César Borges, tem dito a seus correligionários que “não se afobem” com relação ao futuro no partido porque “não tem nada certo” para uma aliança com o governo Jaques Wagner.
A decisão é, obviamente, importante, porque resultaria no apoio ao candidato do PT a prefeito de Salvador, deputado Nelson Pelegrino, e na incorporação da bancada estadual ao bloco da maioria na Assembleia Legislativa.
Para que a questão comece a ser definida, falta o principal: uma conversa entre Borges e o governador. Quando da posse do ex-senador no Banco do Brasil, em meados do mês, Wagner o parabenizou por telefone e disse que o procuraria, o que até hoje não aconteceu.
Trindade luta por candidatura própria – A intenção de Borges, após conhecer a proposta de Wagner sobre o espaço a ser ocupado pelo PR no governo, é reunir as duas bancadas para ouvir as opiniões dos parlamentares e “decidir de acordo com a maioria”.
Em ambos, os casos, há obstáculos a superar. Na bancada federal, José Rocha quer o acordo, mas João Carlos Bacelar e Maurício Trindade preferem, para este último, a candidatura própria na capital.
Em último caso, Trindade aceitaria, se fosse indicado para vice de Pelegrino, papel que toparia também, caso o partido permaneça na oposição, na chapa do deputado ACM Neto (DEM). Se não for atendido, poderá até romper com o partido para apoiar Neto.
Bancada estadual tende à divisão – A situação é igualmente difícil na bancada estadual. O deputado Reinaldo Braga é francamente aliado de Borges e a deputada Graça Pimenta já anunciou que seguirá a orientação do partido. Mas a outra metade – Sandro Régis e Elmar Nascimento – é contrária à adesão.
Régis, estreitamente ligado ao ex-governador Paulo Souto, em hipótese alguma ficaria num partido aliado ao governo. Quanto a Elmar, que não mais pretende disputar a eleição de prefeito em Campo Formoso, só deixaria o partido se obtivesse da Justiça Eleitoral uma declaração de justa causa.
Por enquanto, para todos os deputados, os próximos dias estão em aberto, pois o próprio César Borges revelou a uma fonte que está sendo assediado por diversas lideranças políticas, incluindo ACM Neto, Geddel Vieira Lima, Nelson Pelegrino e o insistente Antonio Imbassahy. (Por Escrito)