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Documentário Água de Meninos recupera a memória da maior feira

O documentário, da cineasta e roteirista baiana Fabíola Aquino, conta com participação especial do ator Antonio Pitanga <em>(Foto: Divulgação)</em>” title=”O documentário, da cineasta e roteirista baiana Fabíola Aquino, conta com participação especial do ator Antonio Pitanga (Fotos: Divulgação)” width=”448″ height=”304″ class=”size-full wp-image-22333″ /></a><figcaption class=O documentário, da cineasta e roteirista baiana Fabíola Aquino, conta com participação especial do ator Antonio Pitanga (Fotos: Divulgação)
Salvador – Retratar costumes da sociedade soteropolitana ligados à feira livre, fazer uma retrospectiva dos últimos 50 anos do maior mercado a céu aberto da Bahia e conduzir o espectador numa narrativa histórica, revelando a luta do feirante em imagens. Estes são alguns objetivos do documentário “Água de Meninos – A Feira do Cinema Novo”, da cineasta e roteirista baiana Fabíola Aquino, que conta com participação especial do ator Antonio Pitanga. O lançamento do filme poderá ser conferido, gratuitamente, nos dias 11 de junho, no Cine Cena Unijorge, às 20h, e no dia 12 de junho (Dia dos Namorados), na própria Feira, em duas sessões: às 18h30 e às 20h.

Com 52 minutos de duração, o filme conta a história das feiras em quatro tempos: a Feira de Água de Meninos, o Cinema Novo produzido na Feira, seu incêndio, em 1964, e o hoje, em São Joaquim.  Exibida com suas diversidades em cores fortes e marcantes, a Feira de São Joaquim e sua gente traz situações que remetem ao passado, embora estejamos em pleno século XXI. Essa vibração e efervescência contaminou a equipe de produção do documentário que, em meio a artigos de candomblé, barracas de artesanatos, carnes, frutas, verduras e uma infinidade de produtos, teve o cuidado de captar a essência da Feira, com depoimentos e entrevistas de diferentes personalidades.

O documentário também retrata um “olhar feminino” sobre a feira livre. Além da diretora Fabíola Aquino, a equipe é composta por outras duas mulheres: Claudia Chavez (montagem), e Laura Bezerra (pesquisa). Essa conjunção reflete um resultado sensível desse olhar feminino. “Nos encanta, por exemplo, ver o sentimento das pessoas que entendem a Feira como uma grande mãe. Uma pessoa que chega à feira cedo, sem dinheiro algum, mas, na conversa, consegue ‘comprar fiado’. Essa mesma pessoa trabalha, revende os produtos, paga o que deve e ainda volta para casa com algum dinheiro. Essa é uma representação maternal de uma relação comercial que só se vê na feira livre”, define a diretora.

Cinema Novo na Bahia – E como conectar a Feira de São Joaquim com o seu passado, presente e perspectivas para o futuro? O roteiro habilidoso, composto por referências e pesquisas históricas, busca em sua narrativa ligar todos esses aspectos. A diretora focou em dois filmes do Cinema Novo: Sol Sobre a Lama (Alex Viany, 1963) e A Grande Feira (Roberto Pires, 1962), que retratavam as condições de vida da sociedade na década de 1960 e tinham como pano de fundo os conflitos sociais existentes na Feira de Água de Meninos. Atualmente, a Feira de São Joaquim, seus feirantes e frequentadores, aguardam a tão sonhada revitalização e ampliação da mais tradicional e popular feira livre da Bahia.

Com participação especial do ator Antônio Pitanga, expoente do cinema nacional, que iniciou sua carreira em atuações destacadas nos dois longas que inspiraram o documentário, Pitanga veio a Salvador partilhar suas lembranças e rememorou a efervescência cultural vivenciada nos anos 60, em Água de Meninos. Junto ao seu depoimento, o espectador também poderá conferir sua performance na trilha sonora ao cantar Diplomacia, do sambista Batatinha, música executada no clipe final. O filme traz ainda belas declarações, como a do compositor Mateus Aleluia, do ex-feirante e produtor cinematográfico, Álvaro Queiros, e da atriz Gessy Gesse, entre outros.

Pitanga falou sobre as experiências no cinema e seu engajamento nas causas sociais, fruto semeado pelo Cinema Novo e seus interlocutores. O ator encanta, com a memória e vivacidade, ao narrar sua ligação prematura com a feira, por onde circulava como um “capitão de areia” em sua infância. Hoje, altivo e reconhecido nacionalmente, Pitanga mira a feira e sua herança do passado, ao mesmo tempo em que percorre São Joaquim em meio aos escombros que sinalizam o futuro. O início das obras que trarão as mudanças estruturais aos feirantes se deu em 05 de janeiro de 2012 e, agora, fica o desejo de ver o que começou com a lama tornar-se o destacado e próspero ponto turístico na Baía de Todos os Santos.

Trilha Sonora – A Orquestra Afro Sinfônica proporcionou ao documentário Água de Meninos uma trilha sonora original com o Poema Sinfônico “As Feiras”, que traz três movimentos: Água de Meninos, São Joaquim e Sete Portas. Uma festejada parceria une ao filme o maestro baiano Ubiratan Marques e o compositor Mateus Aleluia, autores da trilha. A Orquestra tem a mesma estrutura de uma orquestra tradicional, a principal diferença está, certamente, no resultado musical, que une o peso e as nuances sinfônicas à personalidade particular dos arranjos africanos.

Sobre a cineasta – Fabíola Aquino é jornalista, produtora cultural, cineasta e sócia-diretora da Cacauê Movie. Atua no mercado baiano há mais de 14 anos e possui experiência nos diferentes campos das Artes e Comunicação. Há três anos pesquisa sobre a história da Feira de São Joaquim. Em 2011, o projeto foi contemplado pelo edital Demanda Espontânea 2011, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult). Destaca-se por seus projetos autorais, desempenhando funções de direção, roteiro e produção.

Entre os principais projetos da diretora, estão: O Jardim (documentário) e sua reedição, intitulada Além do Jardim. O curta-metragem documentário Hip Hop com dendê participou de mais de 30 festivais no Brasil e exterior, sendo premiado em 3º lugar na III Mostra Curtas (2006) – X Mostra PUC-RJ, e no Festival de Curtas-metragens de Direitos Humanos (2007), quando recebeu o título de “Menção Honrosa”. Hip Hop com dendê foi transmitido em rede nacional no Brasil pela TV Cultura, TV Brasil e TV Câmara, e em Moçambique. pela TIM (emissora Independente de Moçambique).

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1 Comentário

  1. Romildo Brandão

    Quem conhece a feira de São Joaquim, ou seja, as pessoas que nasceram antes da sua existência, na década de 60, sabe do processo comercial que deu início na quele lugar, o escambo. Esse processo de troca de mercadorias era fundamental para quem não tinha recursos financeiros para efetuar uma compra de mercadorias.
    Uma feira que atendia primordialmente, a cidade baixa e todo o recôncavo baiano.
    Esse documentário traz à tona a riqueza, energia e relevância deste local, pois trata de assuntos inerentes à feira; escravidão, miséria e muitos elementos que remota aquele lugar, mistico, talvez, mas que denota a história de uma cidade como Salvador.
    Parabéns para seus realizadores!
    Romy Biko.

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