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Cachoeira espionou José Dirceu para abastecer a revista Veja

Cachoeira e Dirceu...

A transcrição de um áudio da Operação Monte Carlo, que prendeu o bicheiro Carlinhos Cachoeira em fevereiro acusado de chefiar a máfia do jogo do bicho e de fraudar licitações, revela que um araponga de Cachoeira invadiu o quarto de hotel do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para recolher material e abastecer a revista Veja.

A informação é do blog do jornalista Mino Pedrosa.

Nos grampos da PF (Polícia Federal) revelados pelo blog, aparece uma conversa entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (sem partido–GO) na qual o contraventor confidencia ao político que financiou o araponga Jairo Martins de Souza para fazer filmagens clandestinas no apartamento de José Dirceu no Hotel Naoum, em Brasília.

Assista ao Vídeo:

Veja a matéria completa de Mino Pedrosa:

A lente do espião financiado e o veneno do contraventor Carlos Cachoeira revelam, na Operação Monte Carlo, a briga velada entre dois caciques do PT: José Dirceu e Antônio Palocci. Foi num apartamento do Hotel Naoum, em Brasília, que José Dirceu foi monitorado recebendo um time de primeira grandeza do Partido dos Trabalhadores para articular a queda do “companheiro” ministro chefe da Casa Civil, marcando a primeira crise do governo Dilma.
A Revista Eletrônica Quidnovi revela com exclusividade uma conversa entre Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres, na qual o contraventor confidencia ao político que financiou o araponga Jairo Martins de Souza para fazer as filmagens clandestinas no apartamento de José Dirceu no Hotel Naoum.

O conhecido araponga da Abin, denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PDT-RJ) , em 2005, no escândalo dos Correios, que culminou com o Mensalão do PT, sempre foi financiado por Cachoeira, que mantinha o esquema de arapongagem para se cacifar junto às autoridades fazendo chantagens.

Só para se ter uma noção dos valores do serviço de Jairo, pelos Correios e pela cassação do deputado André Luiz (PMDB-RJ) foram duas camionetes blindadas: uma para a esposa de Jairo e outra para o próprio ( “presente “ de Cachoeira) e a extorsão de R$ 1 milhão em cima do deputado Roberto Jefferson, que pagou e ficou calado até hoje.

Já se sabe que o espião Jairo Martins de Souza entrou no quarto de Zé Dirceu no Hotel Naoum, mexeu na pasta pessoal do ex-ministro, e não se tem notícias se algum documento ou objeto foi subtraído. Ou, se o araponga plantou alguma escuta ambiente.

A gravação que chegou ao Supremo Tribunal Federal, durante a Operação Monte Carlo, mostra o diálogo entre o senador Demóstenes Torres e o contraventor Carlinhos Cachoeira comentando o estrago que o vídeo feito por Jairo no Hotel Naoum no início de 2011 iria provocar dentro do Governo Federal. O vídeo foi apresentado no ano passado numa matéria da Revista Veja.

Carlinhos diz no áudio da Operação Monte Carlo, revelado agora com exclusividade pelo Quidnovi, que o jornalista Policarpo Junior, de Veja, procurou Jairo, fonte da Revista em diversas matérias, e pediu a fita para publicar o furo. Cachoeira explica ao senador Demóstenes que recomendou ao araponga que Policarpo Junior teria que pegar a fita com ele: Cachoeira. A intenção era estreitar uma relação de fonte com o jornalista.

Cachoeira comenta ainda com o senador que a matéria só seria veiculada duas semanas após a entrega da fita e isto “seria ótimo para a oposição. “ Demóstenes concorda e ambos falam do golpe de Dirceu sobre Palocci e comentam ainda que Dirceu está sempre envolvido nas grandes questões nacionais.

Neste troca-troca de informações entre o senador e o contraventor, Demóstenes conta a Cachoeira que o colega de Senado Blairo Maggi (PR-MT), da base aliada do PT, estava abastecendo a oposição com o objetivo de derrubar o Governo Dilma.

No momento em que o país atravessa uma de suas maiores crises morais e éticas e que conversas vêm à tona e começam a causar reboliços, talvez estejamos diante de um dos áudios mais esclarecedores do modus operandi do bando de Cachoeira. Num processo que tem mais de 300 mil escutas, com certeza ainda teremos outras revelações, mesmo a CPMI só podendo abrir os documentos do inquérito em sala absolutamente fechada.

Aparentemente, o que podia ter vazado do processo já está circulando livremente pelas mãos da imprensa, de empresários e advogados. Mas, como ultimamente temos sido surpreendidos e atropelados por fatos estarrecedores, quem sabe, como diriam os antigos, ainda tenha muita sujeira embaixo do tapete.

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