Waldir Pires modernizou o ferry boat em 88 sem precisar importar tucanos do Sul Maravilha

Se houvesse competição entre empresas na operação do ferry boat, com certeza o sistema estaria atendendo melhor aos baianos. E o patrimônio público não seria sucateado, como foi. Vejam aí o resultado da privatização mal feita: os ferries apodreceram. (Foto: Jornal da Mídia/Arquivo)

Acreditem, caros leitores: em 1988 Salvador deveria ter um pouco mais da metade dos 3 milhões de habitantes de hoje. Foi em 1988, há 22 anos, portanto, no goveno de Waldir Pires, que o sistema ferry boat bateu todos os recordes de transporte de passageiros e veículos.

Confira: 1,2 milhão de veículos utilizaram o sistema e 5,5 milhões de passageiros fizeram a travessia em 1988.

Em 2009, o ferry boat transportou perto de 700 mil veículos e 5 milhões de passageiros. O sistema encolheu, portanto.

Waldir Pires não fez nenhuma mágica nem foi buscar nenhum tucano aloprado no Sul Maravilha para administrar o ferry boat. A solução foi encontrada na Bahia, dentro de casa. Waldir colocou no comando da estatal CNB, extinta em 1997 por Paulo Souto, o empresário baiano Wilson Andrade. Como se sabe, foi Paulo Souto quem trouxe de São Paulo para a Bahia o Comab, a Kaimi e a TWB.

A CNB, que era a mais antiga companhia de navegação do país, com mais de um século, passou por um processo de modernização sem precedentes.

Andrade implantou o sistema de hora marcada no ferry, que na época funcionava muito bem. O usuário confiava, porque sabia que poderia comprar sua passagem com garantia e, rigorosamente, com até 30 dias antes da viagem. E mais: o usuário contava com vários pontos de venda na cidade e não apenas com um posto do Terminal de São Joaquim.

Isto, há 22 anos. É bom lembrar e perguntar: como é que o ferry boat atrasou tanto assim? Que retrocesso foi este?

Ouvindo o pessoal da área técnica da CNB, Wilson Andrade executou o projeto de transformar dois ferries convencionais em dose dupla, utilizandos os navios mais antigos da frota, o “Juracy Magalhães” e o “Agenor Gordilho”. Os dois estão aí até hoje, transportando cada um 90 carros em vez e 50. E ai se não fossem eles!

Wilson Andrade defende uma idéia que pode ser a mais correta para que o sistema ferry boat possa voltar a servir bem aos baianos. Ele é favorável à competição entre empresas na operaçã do sistema.

Ou seja: em vez de apenas a TWB operar sozinha a travessia Salvador-Bom Despacho, o governo colocaria pelo menos outras duas companhias disputando a demanda. A competição seria salutar, atrairia investimentos e, com certeza, melhoraria o serviço prestado aos usuários.

Como a maioria dos baianos, Andrade sabe que o ferry boat é viável e que, se bem administrado, é dinheiro garantido para quem investir.

O governo também lucraria com a competição, pois deixaria de vez de colocar dinheiro público no ferry boat.

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